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Família Gulin reune parte dos negócios sob uma nova marca

Quinta-feira, 25 de Março de 2010

Uma parte da família Gulin, que cresceu no ramo empresarial ao investir no transporte coletivo de Curitiba e depois criou ramificações em áreas como revenda de automóveis, construção e infraestrutura, tem agora uma nova marca. Após um período de divisões de empresas e profissionalização dos negócios, os oito filhos de Alfredo Gulin, um dos precursores, criaram o grupo Noster, que conta com mil empregados e faturamento anual de R$ 200 milhões.

“Estamos tentando cortar o cordão umbilical”, diz José Carlos Gulin, que já foi cobrador de ônibus nas empresas da família “para ganhar uns trocos” e atualmente é um dos conselheiros. Passado o período de rearranjo na gestão, o Noster prepara-se para novos investimentos em construção, pequenas centrais hidrelétricas no Sul do país e em transporte público fora da capital paranaense. Um complexo empresarial em Curitiba deve ser o primeiro a sair do papel, ainda em 2009, adianta José Carlos, sem dar detalhes.

Os outros membros da família que não fazem parte do grupo Noster também atuam no transporte coletivo e em infraestrutura. Mas foi Alfredo Gulin que, na década de 50, quando ainda trabalhava na agricultura e na fabricação de vinho, comprou uma empresa de ônibus junto com um irmão. Mais tarde a sociedade ganhou força com a entrada de outros quatro irmãos. Os negócios se multiplicaram. E a família também.

Para facilitar a administração após décadas de crescimento, os fundadores dividiram as empresas do grupo em três fatias iguais e sortearam cada uma entre eles. Isso aconteceu em meados dos anos 90. Cada parte foi assumida por dois irmãos. Em 1997, Alfredo e Valentin Gulin, que estavam juntos, fizeram uma nova partilha. Alfredo morreu em 2003 e seus oito filhos (cinco mulheres e três homens, que têm participações iguais nas ações) perceberam que era preciso preparar as empresas para enfrentar os desafios do mercado e pensar na terceira geração que, apenas nesse pedaço da grande família, já conta com mais de 20 pessoas.

Por isso, há quatro anos foi iniciado o processo de governança corporativa e criado um planejamento estratégico para analisar quais operações são mais rentáveis e no que deve ser investido. No fim do ano passado a área de consórcio foi vendida. O grupo hoje conta com um conselho de família (com membros da segunda e da terceira geração) e um conselho de sócios. O conselho de administração, que é presidido por Maurício Schulman, ex-presidente do conselho do banco Bamerindus, conta com dois integrantes externos e três da família.

Sobre as mudanças, José Carlos diz que teve um custo “que não foi barato”. “Os sócios tiveram de abrir mão de regalias para que desse certo”, conta. Nem todos exercem funções nas empresas. A Copava, uma das maiores revendas Volkswagen do Paraná e um dos principais negócios ligados ao Noster, é dirigida por uma das irmãs, Ana Iria Gulin Vianna, que começou a trabalhar no grupo em 1999. As mulheres levaram tempo para conseguir espaço nos negócios da família. “Agora todas as empresas se reportam ao conselho, mostram o que estão fazendo”, explica Ana.

A Auto Viação Santo Antonio, de transporte coletivo, conta com uma frota de 130 ônibus. A Concretiza Construtora de Obras, o Edifício Comercial World Business e a Pró-Alfred Participações são as outras empresas que integram o grupo. Para a terceira geração, há normas que regulamentam a entrada e saída de pessoas e um programa para estimular o interesse dos herdeiros que tiverem mais de 15 anos. Oito já passaram por alguma experiência nas empresas. “É um momento mágico”, diz José Carlos, sobre a criação do Noster. Segundo ele, a família vai escrever um livro para contar a história dos Gulin.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 17/8/2009